Vai alinhar a direção – Evite dores de cabeça no procedimento

| 2 de março de 2014 | Nenhum Comentário

A concessionária indica a obrigatoriedade do alinhamento da direção na revisão de 10mil quilômetros do seu carro, mas será que o equipamento está aferido e o técnico sabe o que está fazendo?

A resposta infelizmente é recheada de variáveis, pois sabemos que o logo da montadora não vai sair da fachada e mexer no seu veículo com toda qualidade esperada e que na verdade tudo dependerá de seres humanos que desejamos serem adequadamente preparados para à execução do alinhamento da direção, mas como dissemos, o logo da montadora não vai mexer no seu carro e o técnico pode ser inexperiente, a empresa pode não ter fornecido o treinamento necessário ou o equipamento pode estar descalibrado, o que prejudicará ainda mais o alinhamento que foi realizado pela montadora.

Caso você tenha assistido todos os vídeos da lista de produção acima, é possível que você tenha adquirido uma visão minimalista do serviço de alinhamento ou dos angulos geométricos do sistema de suspensão, mas vamos falar de alguns casos interessantes para que você possa perceber que o buraco em muitos casos é bem mais fundo do que o normal.

PEUGEOT 206

Esse projeto maravilhoso demanda que o profissional altere a altura do veículo referente ao solo para poder realizar corretamente as medições do veículo, seja através da aplicação de pesos dentro do veículo ou o tracionamento da suspensão para baixo, fazendo o veículo adotar uma distância X do solo para que o camber, cáster, convergência entre outros sejam aferidos na forma correta.

CHEVROLET CORSA E VECTRA B

Esses modelos demandam a aplicação de pesos nos bancos dianteiros e uma quantidade X de combustível no tanque para a aferição correta das suas medidas básicas de camber, cáster e convergência.

AUDI E PASSAT

Os veiculos equipados com suspensões diferenciadas Four Link precisam de ferramentas especiais para inúmeras correções de ângulos e para simples aferição o trabalho deve ser realizado levando em conta as características particulares deste projeto com atenção especial ao ponto S.

Os casos acima também incluem inúmeros procedimentos, como os realizados com a linha Renault entre outros, mas o que mais vimos no dia a dia é a aplicação simples das garras nas rodas dianteiras e pimba, alinhamento feito, mas só que não.

POSSIVEIS ÂNGULOS INCLUÍDOS NO ALINHAMENTO “REAL” DA DIREÇÃO

  • Ponto S
  • Ângulo Incluído
  • Ângulo de simetria
  • SET BACK – Desvio do eixo dianteiro e traseiro.
  • Ângulo de arraste – raio de rolagem
  • Divergência em curvas
  • Câmber
  • Cáster
  • Convergência

SUSPENSÃO

O alinhador pode/deve ser negar a realizar qualquer ajuste no alinhamento caso identifique algum problema na suspensão, como, folgas ou danos a componentes entre outros que prejudiquem o alinhamento da direção e caso aceite a insistência do consumidor para que o serviço seja feita de forma irregular, o profissional alinhador ainda sim pode ser responsabilizado por uma acidente ou outro sinistro, pois o cliente é leigo e o verdadeiro responsável é o técnico alinhador, então consumidor, respeite, e você alinhador, siga a regra pra não se enrolar lá na frente, pois o homem da capa preta só vai ter perguntar sim ou não. Mexeu no alinhamento? Sim ou não?

CASO REAL E ESPANTOSO

Em uma visita recente a uma concessionária para a revisão obrigatória de um veículo de nossa empresa detectamos um conjunto grave de falhas por parte da administração da própria concessionária que colocou o próprio técnico alinhador em uma situação difícil e constrangedora. Como você leitor deve imaginar, o condutor de nosso veículo possui grande conhecimento técnico e identificou falhas gravíssimas no atendimento da empresa responsável pela revisão, segue abaixo um relato do ocorrido.

REVISÃO INTERATIVA

No inicio do atendimento o técnico responsável pela revisão indicou uma lista de serviços e produtos não contidos no manual de revisão conhecidas como “perfumaria e gracejos” a qual declinamos, mas indicou a obrigatoriedade do alinhamento com o argumento de que a não execução acarretaria na perda de garantia dos pneus. Nossa resistência ao alinhamento ocorreu após identificarmos que o equipamento era de um modelo analógico, já que hoje em dia esses equipamentos costumam ser computadorizados e utilizam um sistema 3D que oferecem mais confiabilidade, pois monitoram possíveis erros humanos. Devido a obrigatoriedade do serviço, nós indicamos nosso interesse sobre a aferição do equipamento de alinhamento e a máxima compreensão do profissional sobre o serviço a ser executado, e nos foi informado que tudo estava perfeito.

RESULTADO NEGATIVO

O técnico alinhador da concessionária inicialmente efetuou a medição de convergência e divergência das rodas (paralelismo) e apontou uma desconformidade de monstruosos 5 graus positivos, o que nos chamou grande atenção e nos levou a questionar o período de aferição do equipamento e nos foi informado que o mesmo era aferido apenas a cada 3 meses. Seguimos acompanhando o trabalho e observamos que o técnico alinhador deixou o alinhamento com zero grau, o que deixo o paralelismo das rodas idênticos, mas ao indagarmos qual era a medida recomendada pelo fabricante, o técnico informou que simplesmente que NÃO sabia, ou seja, o técnico da concessionária fez o alinhamento na base do puro ACHÔMETRO. Indagamos o técnico quanto a presença de uma literatura técnica e ele nos informou que a concessionária não havia fornecido uma tabela a ele, mas com a ajuda de um segundo técnico que pegou o manual no porta luvas, foi possível localizar as medidas recomendadas, mas para nossa surpresa descobrimos que ambos os técnicos não sabiam interpretar as medidas grafadas no manual e muito menos o chefe da oficina.

GERÊNCIA

Buscamos a gerência da concessionária e não encontramos o responsável, mas registramos a nossa reclamação a gerente de vendas de veículos novos e solicitamos uma solução e que fossemos convidados para um novo alinhamento em no prazo máximo 5 dias para que eles formassem a estrutura desejada para o novo serviço e fomos embora.

VOLANTE TORTO

Ao sair da concessionária notamos imediatamente que o volante que antes andava centralizado, passou a ficar torto, o que nos fez retornar imediatamente a concessionária com um horário marcado por telefone no mesmo dia, mas ao chegarmos lá, não encontramos ninguém habilitado para a solução do problema e nem mesmo o gerente para nos receber.

CHEFE DA OFICINA

Em nosso retorno fomos informados pelo chefe da oficina que o equipamento utilizado para alinhamento estava para ser substituído, que o alinhador ainda ia ser enviado para treinamento, pois havia sido contratado a apenas 11 dias e que a literatura técnica estava em um computador, mas que o técnico ainda não tinha sido informado, e durante uma longa conversa com o chefe da oficina o veículo subiu à rampa de alinhamento mais 3 vezes para acertar o volante, o que indica um possível defeito no equipamento de alinhamento ou falta de conhecimento do técnico alinhador que foi colocado para operar sem o treinamento que esperamos de uma concessionária.

PADRÃO

O nome da concessionária e da montadora não foram citados neste artigo, pois a informação que desejamos passar é sobre a possibilidade de um equipamento desaferido ou possibilidade da mão de obra não ser qualificada, o que colocará a segurança do condutor e de outros em risco sem falar claro dos prejuízos aos pneus e outras peças do veículo.

SE O VOLANTE FICOU TORTO

A REGRA É CLARA

  1. Ou equipamento de alinhamento está desaferido (torto).
  2. Ou profissional não sabe realizar o procedimento corretamente.
  3. Ou no último alinhamento, cometeram o ato falho de movimentar o volante para esconder um grande problema (válido para carros muito antigos, como a kombi).
  4. Seu carro tem um defeito muito raro na traseira, que precisa ser corrigido e não “escondido” com uma alteração no volante.

Simples assim!

Se após alinhar o veiculo, o profissional precisar subi-lo novamente na rampa de alinhamento para “acertar” a centralização do volante ou mesmo saca-lo para tal, é porque algo está muito errado e você precisa conversar com o responsável da empresa imediatamente sobre a aferição do equipamento, sobre os conhecimentos do técnico ou para confirmar as primeiras duas opções antes de permitir que o carro volte ao equipamento ou que em último caso seja permitido o movimento do volante, ou seja, o técnico precisa acertar de primeira (principalmente se o volante estava centralizado), pois centralizar o volante é um procedimento super simples realizado durante o processo de alinhamento, e só dá errado se existir algum problema no equipamento,  com o profissional ou erro monumental realizado pela última empresa que realizou o serviço.

ATENÇÃO – Muitas empresas responsáveis não fazem testes de percurso após alinhar o veículo, pois tem certeza da qualidade de sua mão de obra e que seus equipamentos estão devidamente aferidos.

AFERIÇÃO – Aferir um equipamento é algo super simples e causaria muita estranheza se uma empresa não realiza-se este procedimento semanalmente a fim de se ter um controle de qualidade, já que o equipamento é super sensível e qualquer pancada pode danificá-lo.

 

PERGUNTAS INTERESSANTES

Ao reclamar de serviços de alinhamento, tenha atenção especial à intenção real por trás das perguntas, vamos traduzir de forma negativa.

O volante está torto?

Tradução: O senhor pegou algum erro nosso?

O carro tá puxando?

Tradução: O senhor pegou algum erro nosso?

Tá comendo pneu torto?

Tradução: O senhor pegou algum erro nosso?

Pois se o senhor não consegue identificar um erro, então está tudo bem com o serviço prestado, não é?

Bom, nem tanto, pois todo carro sofrerá desgaste irregular nos pneus, pela própria geometria estipulada no manual, geometria que gera estabilidade no veículo, mas tem pessoas que apenas se preocupam com as impressões leigas do cliente, deixando o alinhamento de tal forma que previna ao máximo o desgaste dos pneus, mas atenção, pois essa tal “eficiência” que evita o desgaste, pode na verdade estar colocando sua segurança em risco, pois angulo de geometria bom é o que te dá segurança ao conduzir, e não o que simplesmente preveni o desgaste dos pneus e te coloca em risco.

RODÍZIO

O rodízio é algo obrigatório, pois é pensado e fundamental para equilibrar os desgastes irregulares naturais do conjunto de pneus, dando durabilidade ao conjunto.

 

DICA: Acompanhe os serviços prestados pessoalmente, questione sobre a presença de literatura técnica atualizada, quando foi realizado e qual o período que o equipamento é aferido e se o profissional passou pelo treinamento adequado sobre aquele modelo de veículo, e se tiver alguma dúvida, visite uma outra loja da própria rede de forma anônima para uma nova conferência, pois assim dará para tirar uma prova real do serviço executado.

Veja nosso artigo sobre cambagem.


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Categoria: Suspensão

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Profissional do ramo automotivo, dedicado a fornecer as informações necessárias, para a construção de uma relação positiva entre os consumidores e reparadores.