Trocadores de peças – Entenda a diferença entre “trocar tudo” e “testar tudo”, e pare de sofrer!

| 15 de abril de 2016 | Nenhum Comentário

Trocar peças é fácil, mas será que você sabe o que está fazendo?

Quem nunca passou raiva com um suposto “profissional” que fez você gastar um dinheirão e não resolveu seu problema e depois tentou te  convencer da loucura dele, de que mesmo não resolvendo, você teria que arcar com o valor gasto. A realidade é que esse problema acontece o tempo todo, e você mesmo sendo leigo, precisa exigir que o profissional entregue a solução do seu problema inicial/real ou que devolva seu dinheiro, e não adianta se sensibilizar com a suposta dedicação do profissional, pois ele só irá desenvolver o conhecimento real de como as coisas funcionam quando você exigir profissionalismo, é isso mesmo, pois nós brasileiros não nos sentimos a vontade em bater o pé e lutar pelo nossos direitos, mas isso está mudando.

PAGUEI E NÃO LEVEI

Se você levou seu carro com uma falha ou defeito X e após qualquer despesa  o mesmo não foi resolvido, porque você deveria arcar com qualquer despesa? Acredito que você não se sentiria bem em ser processado por um consumidor que se sentiu lesado, então por que você se sente mau em processar ou exigir seus direitos? Será que seu comportamento bondoso, na verdade não é o culpado pela falta de qualificação dos profissionais que lhe prestam serviços?  A expressão “deixa pra lá” não prejudica só a você, e sim a todos os brasileiros, onde acredito que existam muitas pessoas honestas, mas um mercado repleto de  profissionais capacitados é formado a partir do grau de exigência dos consumidores e não ao contrário. Imagine um profissional investindo 100 mil reais em treinamentos para atender um mercado que não valoriza a mão de obra qualificada e que pede pelo jeitinho brasileiro, mas nosso mercado esta mudando.

CONCESSIONÁRIAS – O SIMBOLO NÃO DESCE DA PAREDE

Eu levo meus carros novos nas revisões sim, naturalmente não desejo perder a garantia de meus bens, afinal pode pintar uma bolha na pintura, um problema no motor e me valer da garantia é sempre interessante, mas quando eu levo meu carro em concessionárias é um SHOW DE HORROR, sim, a cólica intestinal bate com força, me dá uma gastura descobrir que os profissionais que atendem meu veículo nunca passaram por treinamentos verdadeiros na montadora entre outras ilusões que tenho sobre a qualificação dos mesmos, dentro disso cabe a falta de ferramentas, equipamentos desaferidos e todos os outros problemas que poderiamos encontrar em qualquer empresa, resumindo, uma vergonha em muitos casos.

Veja esse caso: Vai alinhar a direção – Evite dores de cabeça no procedimento

A MUDANÇA

Não vou mentir, a mudança está nas mãos do consumidor, sim, você é que vai ter trepar na cabeça do profissional e EXIGIR EM VOZ ALTA  que ele te entregue a solução ou seu dinheiro de volta, simples assim, pois somente o bolso vazio vai mostrar a um ser humano que ele precisa se mexer e atender bem e de forma definitiva o seu cliente.

 

NOSSO SONHO

Um profissional de verdade, antes de tudo tem que ter o conhecimento real de como as coisas funcionam, ou seja, não adianta ele investir 150 mil reais  de equipamentos e não saber sobre o real funcionamento dos sistemas automotivos, mas você deve pensar, tá e o que eu faço para encontrar esses profissionais? Bom, a resposta é o bom e velho documento, sim, você precisa exigir o conhecimento sobre o assunto por email, por escrito entre outros, sei que parece chato, mas chato mesmo é passar raiva em pagar e não levar a solução. Imagina eu “Doutor Carro” levando meu carro a uma concessionária? A primeira coisa que faço é agendar por escrito minha revisão, sim eu troco email, e ESCREVO que sou um cliente exigente e que só serei atendido por um profissional realmente treinado na montadora para aquele procedimento, mas confesso que pulo de alegria quando pego um filho de Deus fazendo algo de errado, é nessa hora que dou a minha maior contribuição ao dono da concessionária, pois pego o EMPRESÁRIO de jeito e trepo na cabeça dele, ou seja, tiro toda a raiva do meu peito, pois a montadora deveria exigir que as concessionárias tivessem profissionais de alto nível, mas a realidade é que nunca consegui encontrar um profissional que realmente sabe como as coisas funcionam, mas atenção, não culpo ou incomodo o profissional do pátio, pois ele é vitima da empresa (CNPJ), pois se, por exemplo, ele é um alinhador e foi colocado na rampa de alinhamento sem o devido treinamento, a empresa é culpada e ela deve arcar pelo constrangimento causado ao funcionário, pois se ele foi colocado naquela função, é por que alguém superior o fez, e quem deve responder por sua falta de treinamento é a empresa, pois o profissional não tem poder decisório de negar facilmente de exercer ou não a função, e caso o faça, poderá perder seu emprego ou ser reprovado em sua experiência, por isso recomendo que o consumidor se dirija ao gerente, proprietário ou presidente do grupo e se existir um SAC ou 0800, que sejam feitos todos os registros possíveis de quaisquer problemas.

                       TROCADOR DE PEÇAS

No meu dia a dia tenho o prazer de atender ligações do Brasil todo para dar suporte exclusivo a profissionais, e muitas vezes recebo a dúvidas sobre um defeito de falha de motor, onde  fora trocado  de um tudo e que nada tinha resolvido, por exemplo, foi trocada a bomba de combustível para uma falta de potência de motor e ao questionar qual a pressão do combustível antes ou depois da troca, a resposta que recebo a vezes é de que a pressão não foi aferida em momento algum. Calma, nem tudo esta perdido, não são todas as vezes que me deparo com um trocador de peças, naturalmente existem muitos profissionais de alta qualidade e mesmo eles comem bola, sim eles são seres humanos e muitos sabem que deveriam ter medido a pressão e na correria faltaram com atenção, mas muitos nem sabem como faze-lo ou sequer tem as ferramentas necessárias ou mesmo julgam importante aferir a pressão.

QUANDO NÃO SE SABE A DIFERENÇA ENTRE TROCAR TUDO E TESTAR TUDO

O trabalhador precisa levar o pão para casa, isso é algo natural, mas temos outra ponto relevante, a de que toda empresa tem como obrigação o lucro, mas então qual o problema em entregar o que o cliente deseja e merece e ainda conquistar o lucro para empresa ou o pão para a família do trabalhador? Quanto ao lucro merecido eu acredito que todos achemos justo, mas e quando um profissional não sabe que não detêm o conhecimento real de como as coisas funcionam, ou seja, ele acha (achismo) que sabe, e passa anos de sua vida repetindo as mesmas tentativas na crença de que aquela forma como o faz, é a única, ou seja, de que é correto trocar as peças e avaliar os resultados, mesmo sem ter bebido da fonte do conhecimento real, traduzindo, ele nunca fez um treinamento ou quase nenhum e segue na luta pelo pão.

Vamos analizar a gráfico abaixo e tratar da troca de uma peça como a solução de um defeito sugerido.

DEFEITO AVALIADO: Oscilação da marcha lenta do motor, onde o veículo morre ou a aceleração fica alterando sozinha.

Captura de Tela 2016-04-15 às 12.45.53

COMPARE  OS DADOS DO GRÁFICO COM AS INFORMAÇÕES ABAIXO

1 – NÃO SABE QUE NÃO SABE – O profissional inexperiente tenta trocar o atuador da marcha lenta, pois acredita que ele é única peça responsável por gerenciar e proporcionar a correta marcha lenta do motor em todos os regimes, mas ele não sabe que seu conhecimento está em partes equivocado, onde na verdade o gerenciamento da marcha lenta é feito pelo módulo de controle do motor e o atuador da marcha lenta é apenas um escravo que altera o fluxo do ar através de ordens elétricas emitidas pelo módulo, mas claro que em alguns casos o atuador está defeituoso devido a uma falha interna que o impede de atuar de forma adequada, mas ele não é o responsável pela posição que deve adotar,  pois essa função na verdade é do módulo de controle que gerência o motor, que por sua vez se baseia em inúmeras informações captadas em sensores espalhados pelo veículo e por sua própria programação.

2 – SABE QUE NÃO SABE – O profissional passou a deixar o achismo ou o conhecimento comum de lado e descobriu que o atuador da marcha lenta apenas obedece ordens e que precisa levar em conta outros fatores, como entradas falsas de ar, tensão da bateria, aterramentos, cabeamentos, problemas mecânicos, problemas eletrônicos, mentiras contadas por sensores defeituosos entre outros, ou seja, ele agora compreende os itens que precisam de sua atenção antes mesmo de trocar o atuador da marcha lenta pra simplesmente “ver se resolve”.

3 – SABE QUE SABE – Agora ele sabe como as coisas funcionam e começa a valorizar o seu conhecimento e passa a entregar o que o cliente realmente precisa, ou seja, se o cliente pede para ele simplesmente trocar o atuador, o profissional breca a intenção e informa o cliente sobre todas as variáveis e trata o assunto com grande atenção, até conseguir colocar o cliente a par da variáveis envolvidas no diagnóstico.

4 – ENTROU NO AUTOMÁTICO – O profissional é um ser humano e as vezes entra no automático, mas logo toma um tombo e se alinha, sei que parece estranho, mas no dia a dia o profissional pode incorrer em erros comuns e partir para os defeitos mais recorrentes, mas como tem o conhecimento real de como as coisas funcionam, logo volta ao caminho adequado e resolve o problema.

EQUIPAMENTOS OU CONHECIMENTO

O trocador de peças tenta resolver o problema do carro e não consegue, mas ele pode ser uma pessoa honesta, que tentou fazer o seu melhor ao partir para tentativas muitas vezes válidas, como a troca de itens comuns que sofrem grande desgaste, como velas, cabos, bobinas, filtros entre outros, mas o trocador não tem o conhecimento necessário para diagnosticar defeitos complexos e mesmo tendo bons equipamentos, ele não sabe por onde começar, mas em muitos casos não é maldade e sim falta de conhecimento, conhecimento que deveria ter sido consumido antes mesmo de se investir um dinheirão em equipamentos.

empresário

AQUI NÃO É SENAI

Uma vez ouvi a dura afirmação de um proprietário de centro automotivo de que sua empresa não era SENAI para ficar treinando seus profissionais, ou seja, ele queria tirar até a ultima gota do seus profissionais de pátio, que eles gerassem o maior faturamento possível sem que a empresa precisa-se gastar um centavo ou mesmo um mísero minuto com treinamentos, o que é revoltante aos olhos de qualquer consumidor, mas posso garantir que os profissionais desse mesmo pátio também se incomodam com a própria falta de conhecimento, e já ví profissionais que aceitariam arcar com as despesas de seus próprios treinamentos, mas vi empresários que simplesmente não liberavam os funcionários e ainda reclamava que o treinamento seria para eles e não para empresa, o que é no mínimo ridículo. Se você sabe que todo ser humano é único, então lembre-se que a pessoa a sua frente pode ter ótimas intenções, mas o dono da empresa é sempre o culpado, pois ou ele não selecionou bem ou não treinou ou mesmo valoriza a qualificação de seu quadro, por isso recomendo que você se dirija sempre ao dono da empresa quando algo não estiver bem. Seja sincero, você consegue ver um Alemão ou Americano aceitando um mau atendimento, profissional desqualificado ou receber algo que não seja a solução exata de seu problema?

EXIGINDO MUITO

Você chega em uma oficina qualquer,  seja ela linda ou simples, e sente aquele frio na barriga que te arremete a experiências horrorosas e se sente mau por isso?  Você tem que ter em mente que é possível sim que seja mau atendido e que a raiva possa te consumir durante ou após o atendimento, pois esta sendo atendido por seres humanos e as variáveis são enormes, então para finalizarmos eu recomendo que se lembre de que é preciso gerar documentos em tudo que solicitar a outro ser humano, seja ele um profissional de qualquer categoria, pois seus direitos de consumidor são garantidos e somente sua cobrança fará com que o mercado evolua, então escreva tudo e lute pelos seus direitos, pois somente assim poderemos elevar a qualidade em todos os segmentos.

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Categoria: Artigos

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Profissional do ramo automotivo, dedicado a fornecer as informações necessárias, para a construção de uma relação positiva entre os consumidores e reparadores.