O que é obrigatório nas revisões de garantia e o que não é?

| 26 de outubro de 2015 | Nenhum Comentário

Será que você é obrigado a consumir os produtos e serviços da concessionária ou mesmo ter que trocar o óleo de forma obrigatória a cada 5mil quilômetros?

Se você é como eu, que adora fazer a coisa do jeito certo e não gosta de se enrolar ou ser enrolado, se agarre nesse texto, pois nosso exercício é um resumo do que você deveria ter lido no manual do seu veículo, e para tal, pegamos o manual de um Chevrolet Onix LT 2013 para uma base do que deveríamos fazer e o que talvez devamos deixar de fazer, economizando assim, algum dinheiro.

GARANTIAS DE VÁRIOS ANOS

Eu particularmente sempre confio desconfiando a principio de tudo que escuto ou leio em propagandas, pois todo contrato pode possuir letras miúdas e nada melhor do que buscar o apoio do pai dos burros que deveria estar no porta-luvas, mas que geralmente vai parar no porta malas ou como apoio do pé manco do piano, mas será que você sabe, por exemplo, o que é uma condição severa de uso, sim, aquela que obriga a diminuir o tempo entre as revisões, aumentando o custo da manutenção do seu veículo?

REVISÕES A CADA 5 OU 10 MIL QUILÔMETROS?

Antes de enfiarmos a cabeça até os pescoço nesse assunto, vamos separar o que é condição severa e condição normal.

CONDIÇÃO SEVERA DE USO

São consideradas condições severas:

  • Quando a maioria dos percursos exige marcha lenta durante muito tempo ou funcionamento continuo em condições de rotação baixa frequentes (como no “anda e para” do tráfego urbano denso).
  • Quando a maioria dos percursos não ultrapassa 6 km (trajeto curto) com o motor pouco aquecido.
  • Operação frequente em estradas de terra e areia.
  • Usando como taxi, veículo policial ou atividade similar.
  • Quando o veículo permanece, com frequência, parado por mais de 2 dias.

TROCAR O ÓLEO A CADA 5 OU 10 MIL QUILÔMETROS?

Em nosso veículo de exemplo, a montadora não classifica em momento algum como obrigatória a troca do lubrificante em uma de suas concessionária em função da garantia, e indica isso claramente através da palavra “preferivelmente” para que se evite a aplicação de lubrificante não recomendado, o que indica  a possibilidade de troca em outro local (desde que respeitadas as especificações do produto), o que pode gerar grande economia, tendo em vista que os preços praticados podem ser diferentes no mercado aberto.

O período de troca também oferece uma opção além dos 5 mil quilômetros ou 6 meses geralmente praticadas pela concessionária, pois estes são indicados pelo fabricante de forma bem clara, definida como “uso severo” já mencionado mais cedo em nosso artigo, então se você roda mais de 6 quilômetros ao dia com motor bem aquecido, não deixa o carro parado mais de 2 dias, pega bastante estrada, a troca de óleo pode ser feita a cada 10 mil quilômetros ou 12 meses sem prejuízo algum, tanto ao motor quanto a garantida do fabricante.

QUANDO COMPLETAR O ÓLEO

O manual é bem claro e indica a adição de mais óleo somente quando nível atingir o mínimo e ainda reforça que o nível só deve ser aferido após motor estar desligado ao menos por 2 minutos.

ATENÇÃO: Nunca misture tipos diferentes de óleos. Utilize apenas a viscosidade especificada no manual do fabricante, não necessariamente a marca, pois poderão ocorrer danos ao motor e até mesmo a perda da garantida, então na dúvida, consulte a sua concessionaria e veja se a especificação do óleo à ser aplicado atende a especificação do seu veículo.

CONSUMO DE ÓLEO NORMAL

O manual indica um possível consumo normal de 750 ml a cada mil quilômetros rodados, isso no modelo Onix abordado em nosso artigo, mas observa-se a possibilidade de 1lt em modelos como o Honda Fit, então é fundamental que o condutor verifique o nível do óleo a cada 1000 quilômetros ou no máximo a cada semana.

ADITIVO DO RADIADOR

O subtítulo é claro ao mencionar como aditivo do radiador e não como “protetor”. Nota-se claramente que existem produtos no mercado que não atendem as normas ABNT NBR e estes produtos não trazem grafado o termo aditivo em seus rótulos. Então tenha atenção, pois aditivo tem um valor mais elevado e você precisa estar atento a publicidade contida em rótulos de embalagens bonitas.

FLUÍDOS DE TRANSMISSÃO E DIREÇÃO

Uma polêmica gira em torno dessa manutenção, mas nós da Doutor Carro indicamos uma visita ao site do fabricante da transmissão ou sistema de direção, pois muitas montadoras informam que os lubrificantes apenas precisam ser completados, mas em contra partida, as fabricantes dos sistemas indicam um certo período de troca, então faça uma visita e quem sabe você utilizará de pragmatismo e evitará um grande prejuízo, que alias, tem ocorrido com frequência.

CONSIDERAÇÕES

Antes de colocar a mão no bolso, indicamos uma leitura atenta ao manual do proprietário, pois você já pode ter realizado vários serviços desnecessários, como trocas de óleo a cada 5 mil, sendo que você poderia ter rodados os 10 mil quilômetros sem prejuízo algum ao motor ou garantia ou mesmo ter consumido alguns serviços ou produtos fora da concessionária sem qualquer problema e economizado um dinheirão, então fique atento a termos, como “preferivelmente” ou “obrigatoriamente” e tome cuidado quando se orientar verbalmente se isso ou aquilo é obrigatório, pois obrigatório é o que está escrito, e nada mais.

VENDAS CASADAS

Mesmo que você procure com muita dedicação, raramente você encontrará algo que obrigue você a consumir um produto parceiro da fabricante de seu veículo e sim a indicação que a marca (usa, recomenda, informa ou utiliza) tal produto e para não errar, peça por escrito a orientação de que a garantia será perdida se você utilizar uma marca diferente. Naturalmente as especificações sempre devem ser atendidas, mas simplesmente acreditar no verbal, ou seja, em uma negativa que não pode ser provada, pode custar caro a seu bolso, então cutuque com força, pois dinheiro não aceita desaforo.

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